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Por Lincoln Ando

Recentemente, a One World Identity (OWI) promoveu a Know Identity Conference, principal evento global de identidade digital que reúne as organizações mais influentes do mundo e as mentes mais brilhantes dos setores para moldar o futuro do segmento. Entre os presentes na conferência, que aconteceu em Washington (EUA), estavam regtechs, birôs de crédito e empresas de tecnologia do mundo todo.

A programação foi bastante interessante e dentre os temas abordados, oito deles chamaram muito nossa atenção. Confira:

1- Biometria

Em muitos países, o diferencial de produtos de credenciamento é a validação biométrica. Durante o evento, diferentes empresas que usam o acelerômetro do celular para detectar o padrão de movimento de um usuário, uso de digitais, verificações de íris ocular e reconhecimento facial e de voz apresentaram diversas formas avançadas de autenticar usuários.

2- Novas regulamentações

Diretivas como o General Data Protection Regulation (GDPR) e o Payment Services Directive 2 (PSD2), novas propostas de diretrizes europeias para proteção de dados pessoais e serviços de pagamento, respectivamente, dominaram boa parte das discussões. As novas leis devem ser implementadas nos Estados Unidos e na União Europeia muito em breve. De certa forma, isso demonstra o quanto a tecnologia está à frente da legislação, mas também como esta tem avançado.

3- Data breach

Com os diversos vazamentos de dados em companhias americanas, em 2017, foi impossível deixar de mencionar esse assunto, já que parte da audiência foi afetada por isso. A discussão sobre os dados e como armazená-los foi muito recorrente. Isso também mostrou que existe um grande movimento em direção à retenção de dados de maneira descentralizada.

 
4- Privacidade

Tais vazamentos de dados também levaram a uma conversa sobre privacidade. A conclusão principal é que os usuários sempre deveriam saber exatamente quais dados serão liberados para validação em cada checagem. E, em um cenário ideal, documentos digitais ou aplicativos poderiam exibir apenas se o usuário está apto ou não para aquele contexto. Além disso, ficou claro que privacidade não é sobre ter muitas regras e burocracia, mas, sim, sobre transparência.

5- População desbancarizada

Imigrantes, pessoas isoladas geograficamente, refugiados e habitantes de países com governos instáveis acabam enfrentando problemas quanto à sua identificação. Muitas dessas pessoas não participam de programas do governo, não conseguem empregos formais e também não são incluídos financeiramente devido à falta de algo que comprove a identidade deles, além de informações para liberação de crédito, por exemplo. Birôs de crédito para estrangeiros, psicografia, identidades baseada em reconhecimento facial, aplicações de blockchain foram algumas das alternativas apresentadas para estes casos. Vale pontuar que estas situações não foram tratadas apenas como um problema social, mas como uma grande oportunidade para o mercado financeiro atender esse tipo de demanda.

6- Número de celular em substituição do RG/CPF

Com diversas tecnologias de autenticação via app, o número de celular tem ganhado muita importância no credenciamento e no acesso a serviços. Em alguns países asiáticos, o número de celular serve para fazer pagamentos e, ainda, liberar acesso a outros serviços, sem o uso de documentação do governo. As discussões apontaram para o fato de que o número do celular pode, sim, ser uma fonte de validação importante, mas não será a identidade definitiva por si só, uma vez que muitas pessoas não têm acesso a smartphones. Além disso, a troca frequente do número e de operadoras também seria um impeditivo.

7- Identificação global

Em função das grandes e recentes correntes migratórias, muito se falou da necessidade e da possibilidade de uma identidade global. O mais próximo disso, hoje, são passaportes, que seguem, em alguma escala, um padrão internacional. Os mais novos, inclusive, usam chips de identificação – e isso foi uma inovação trazida e estabelecida por uma empresa privada.

 

8- Identidades digitais

Alguns formadores de opinião afirmam que os bancos poderiam ser os agentes capazes de criar algo como uma identidade digital, já que eles já têm os dados, o capital e a credibilidade. Porém, empresas de outros setores mais ligados à tecnologia, por exemplo, estão tentando atender esta demanda de alguma forma, com aplicativos que centralizam dados biométricos, informações cadastrais e documentos. A ideia, portanto, seria compor, com tudo isso, uma credencial robusta, segura e digital.

 

* Lincoln Ando é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Unicamp Limeira e possui especialização em Segurança Ofensiva, pela Infosec, em Washington (EUA). Em 2016, fundou a IDwall, regtech com a proposta de tornar os processos de cadastro, verificação e validação de dados mais ágeis, transparentes e seguros por meio de tecnologias de reconhecimento facial, cruzamento de dados e background check.

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